História: Filho é um pescador de meia idade, que vive com a mãe em uma pequena comunidade em um local isolado. Ele mantém um certo relacionamento com Formosa, uma mulher com jeitão de cigana, que mais tarde se mostrará uma bruxa adoradora de Satã. Ela ameaça ir embora do lugar, já que o sujeito dá mais atenção à mãe do que a ela. Em uma noite em que é flagrada por Filho fazendo sexo com outros homens, Formosa incorpora uma entidade maligna e pede para que Filho mate sua mãe e lhe trague seu coração. Ele vai para casa, e o mal passa a controlá-lo de formas cada vez mais brutais.
Produção: Segundo curta metragem de Dennison Ramalho, foi filmado em estúdio em São Paulo e na praia de Iguape. Os custos chegaram a 60 mil reais, o que o torna um dos curta metragens mais caros feitos no Brasil. O roteiro foi escrito pelo diretor, em colaboração com o pai de santo Pai Alex, do
Terreiro de Umbanda do Pavilhão 8 da Casa de Detenção de SP, convidado na época das filmagens do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento.
Os créditos nos dizem que o filme é uma "livre perversão" da música Coração Materno, de Vicente Celestino. Embora não haja menção à canção no curta, ela é um ponto de partida.
O papel do filho foi feito tendo Everaldo Pontes como seu intérprete. Mas o diretor teve problemas em escalar as atrizes. Desistências e recusas foram frequentes, já que o roteiro era carregado de sexo e violência. Por fim a mãe é interpretada por Vera Barreto Leite, do Teatro Oficina, e Formosa por Débora Muniz, atriz veterana, rainha dos filmes de sexo explícito da Boca do Lixo.
Comentário: Um dos maiores méritos de Amor só de Mãe é o de criar um terror de matriz brasileira. A religiosidade, os símbolos, o sexo. É um esforço em criar uma mitologia própria para o país, algo que o Mojica fez muito bem em seus filmes.
Trata-se de um filme muito ligado a energias básicas, terrenas. Instintos primários explodindo em violência em personagens rudes.
Os atores são ótimos, todos. Destaque para os seus corpos de meia idade. Filho torce o corpo fantasticamente ao puxar o barco do mar. Formosa exala sexualidade só de caminhar pela floresta, alisando suas pernas. O sexo entre eles é bruto, como é também a possessão de seus corpos pela entidade maligna - possessão que é conseguida através de postura de corpo, olhos negros e mudança de voz. Os cortes que Formosa faz em seus próprios bracos marcam simultaneamente o braço de Filho. Essa ligação entre os corpos é muito bem utilizada.
A sequência da morte da mãe é sem dúvida muito forte.
E a mistura feita entre ícones religiosos cristãos, som de pregação evangélica, entidades de religiões afro-brasileiras e símbolos satânicos é muito feliz e eficiente.
Causa medo, e, sem dúvida, choque.
E pra que não viu, tá aqui disponível no youtube:






